Aos que se interessam pela clássica questão do porquê alguns povos dão
certo e outros não, seguem minhas considerações em 2011, após uma longa
viagem.

Os Estados Fracassados  (2011)

Josino Moraes
Latin America Economic Researcher
www.josino.net
email: josinomoraes@hotmail.co

Notas em [ ]

Andando más, más si sabe, Cristóvão Colombo.

(1)Esse pensamento me ajudou bastante para  uma longa viagem na altura
dos meus 70 anos à parte dos países desenvolvidos do hemisfério norte. O
titulo original deste texto seria Indo ao Norte, como um trocadilho à expressão
idiomática americana de Indo ao Sul – quando as coisas vão mal. Mas quando
visitei a Suécia, pensei no titulo acima, o qual expressaria melhor meu ponto de
vista central.

I Os Estados Unidos

(2) A saída de São Paulo foi um pouquinho diferente do  usual: nada de
emigrantes econômicos à vista. Em compensação, centenas de brasileiros de
classe media viajando para fazer compras nos Estados Unidos ( vide
Porque a
America Latina não Consegue Competir  em Manufaturados) . Alguns
emigrantes econômicos certamente estavam dissimulados no conjunto.  E
também, no momento, um novo fenômeno: centenas de jovens de classe
media, desempregados, com algum domínio de inglês, que encontraram uma
nova oportunidade de “trabalho”, ou, pelo menos, uma fonte de renda: um
contrabando light.

(3) A explicação para o fenômeno acima é bastante simples: um real hiper
valorizado devido a estupenda exportação brasileira de commodities desde
2002 [1] . Como confirma o ilustre Sr. Alan Greenspan, o período 2002-2008,
mostra o maior período histórico de crescimento econômico e do comercio
internacional jamais registrado. No caso do Brasil, isso continua até os dias de
hoje. A expansão da Ásia, principalmente da China, é o principal fator
explicativo. Um fator adicional, no caso do Brasil, são as mais altas taxas de
juros do mundo, as quais, obviamente, atraem os capitais financeiros. Como
conseqüência desses fatores, o Brasil acumula as maiores reservas de sua
historia.   

(4) Cheguei ao aeroporto JFK no Qieens – uma das cinco partes (
boroughs) de
Nova York – numa segunda-feira de manhã. Meu destino era Manhattan, a
principal parte da cidade. Em aproximadamente uma hora, já estava lá. O
tráfego fluía muito bem em todas as direções que pude observar. Obviamente,
me lembrei de São Paulo naquele mesmo horário. Nos Estados fracassados, ou
semi-fracassados, o tráfego nas grandes cidades é caótico. Perde-se um
tempo enorme – e trabalho produtivo – no trânsito, e, ainda por cima,
aspirando aqueles gases fétidos, encharcados de enxofre, frutos da queima  
de óleo diesel, etc, produzidos pelas ineficientes empresas monopólicas
estatais.  

(5) Nos países fracassados há uma hiper concentração da população em torno
dos poucos focos de “desenvolvimento econômico”.  No caso brasileiro, São
Paulo é o melhor exemplo. Observo isso também nas fotos de Teerã e
Istambul. Numa recente visita a São Paulo, um arquiteto holandês dizia em
uma entrevista que a cidade o lembra de Jacarta (Indonésia) e Lagos (Nigéria)
– O Estado de S. Paulo, 28/8/11 [2] . São Paulo se estende em círculos
concêntricos crescentes. As pequenas cidades próximas vão se incorporando
ao grande centro. Isso agrava profundamente os problemas de infra-
estruturar a serem resolvidos por esses Estados falidos e sem capacidade de
investimentos. Suas arrecadações são destinadas basicamente à manutenção
dos privilégios do setor público e de suas estatais. As mortes no trânsito
batem recordes a cada novo ano. Para todo o pais, em 2010, elas atingiram
40000! - Folha de S. Paulo, 29/10/11.

(6)  Em São Paulo, desde 1997, existe a idéia de que restringir  o tráfego de
veículos durante a semana  resolveria o problema dos engarrafamentos. Creio
que essa idéia surgiu originalmente na Cidade do México [3] . Isso se faz
através do último número da placa do veiculo. Aplicam-se pesadas multas aos
infratores. Isso, obviamente, não tem dado resultados apreciáveis. Um amigo
meu, colega de turma de engenharia que vive na cidade, me contou que eles
simplesmente compram um segundo carro!   
     
(7) Em Manhattan, a maioria dos táxis são dirigidos por emigrantes
econômicos vindos dos países árabes ou próximos a Índia: Bangladesh,Iraque,
etc. Nos hotéis –em posições inferiores, obviamente -, eles são da America
Latina. Os jornais noticiavam que Osama bin Laden havia sido morto naquele
dia e eu fiquei muito feliz. Quando indo a um banco encontrei duas jovens
brasileiras orgulhosas de seus maridos americanos. O próximo passo era a
cidade de Cranford, na região metropolitana de Nova York, para visitar alguns
amigos americanos que eu conheci pela internet, do American Atheist Center.
Eu admiro muito o trabalho deles. Os Estados Unidos são o reino da liberdade
religiosa, mas, curiosamente, você tem que ter uma religião! Você não pode
ser ateu! Você pode perder seu emprego ou ser expulso das Forças Armadas!

(8)Em Washington, DC, minha nora me apontou um aspecto muito
interessante: os americanos elogiam os brasileiros, mas os brasileiros
menosprezam os americanos! Trata-se de um dos aspectos próprios da
cultura dos Estados fracassados. Uma espécie de complexo de inferioridade.

(9) Na área de Washington – penso que isso vale em todos os Estados Unidos
–, não há cercas ou muros entre as casas. Os jardins são limpíssimos e as
gramas perfeitamente aparadas – me refiro ao verão, obviamente. Na America
Latina, as pessoas ricas, e mesmo as de classe média, vivem cercadas e
enclausuradas por muros, cães-de-guarda, cercas elétricas, etc, configurando
o que chamo de arquitetura de uma guerra interna. Lembram um pouco os
castelos medievais na Europa.  O processo econômico gera aqui uma nova
classe de deserdados que se dedicam ao roubo, assaltos, etc, como forma de
sobrevivência. A mídia local usa eufemismos como “violência urbana”. O
fenômeno real é de um novo tipo de guerra que não pode ser caracterizada
como guerra civil, como fazem alguns (vide
A Impressionante Entrevista de
Marcola ao Jornal O Globo (2006) e Marcola: o Fato Novo na Guerra Brasileira
(2006) ).

(10) Nos restaurantes simples, do dia-a-dia, facas, garfos e pratos são de
plásticos baixando os custos e dando-nos a sensação de uma sociedade mais
produtiva, mais eficiente.

(11) Meu filho e família me levaram a Monticello, Charlottesville, no sul do
Estado da Virginia. onde se encontram  a antiga ex-fazenda e casa de Thomas
Jefferson, figura crucial da historia americana. Jefferson foi o principal teórico
da Independência Americana e suas idéias tiveram enorme importância nos
princípios da Revolução Francesa. Ele nasceu rico, herdando uma grande
fazenda e muitos escravos. Ele foi duas vezes governador da Virginia e foi
presidente do País por dois mandatos. No final de sua vida ele quebrou e sua
fazenda e seus escravos tiveram que ser leiloados.

(12)Nos últimos dias de sua vida, em 1815,esse homem, celebre pela máxima
Não posso viver sem livros, teve que vender sua biblioteca à Biblioteca do
Congresso. Mais de 6000 volumes! A Biblioteca do Congresso que havia sido
queimada pelos ingleses na Guerra de 1812 tinha apenas 3000 volumes. De
fato, quando ministro de relações exteriores na França, ele descobriu que
tampouco podia viver sem vinhos!   
  
(13) Não pude deixar de pensar na figura sinistra de José Sarney, atual
Presidente do Senado, ex-Governador do Maranhão, ex-Presidente da
República. De fato, o Estado do Maranhão “pertence” a sua família. Sua filha é
a atual Governadora do Estado. Ele se tornou um homem muito rico “servindo”
- eufemismo local para parasitas públicos – toda sua vida o Estado brasileiro. A
vida publica aqui é um próspero negócio! O ponto focal é que nos Estados
fracassados não se consegue gerar um homem publico capaz da grandeza de
pensar na comunidade e não como simples animal pensando apenas em seu
estômago. Como resolver tão difícil equação? Não há saída, nem no curto ou
médio prazo.

(14) Viajando em trens pelos Estados Unidos e Suécia é simplesmente
maravilhoso. Tão confortável Você pode ler, caminhar, comer e beber. Você fica
livre daquelas malditas maquinas pretas dos aeroportos, Você já passou sua
bagagem de mão em Nova York quando saindo para Estocolmo mas, fazendo
conexão em Heathrow, Londres,sem sequer sair do aeroporto, você tem que
repassá-la de novo! Você leva algum liquido? Maldito 11 de setembro.  
Ademais, viajando em trens, você tem o prazer da paisagem. O trem de alta
velocidade é o meio mais rápido de locomover-se do coração de Estocolmo ao
principal aeroporto, Arlanda. Apenas 20 minutos.

(15) Voltando ao Brasil. Quando eu era uma criança, há coisa de uns 60 anos,
eu viajava habitualmente de trem desde minha cidade natal, Assis, a uns 440
Km de São Paulo. Os trens da velha Sorocabana não eram tão freqüentes mas
eram ótimos. Eles tinham um carro dormitório e um restaurante. Tudo isso
acabou, não há mais trens. Aqui, nota-se um bom sintoma da degradação do
Estado brasileiro.

(16) Um aspecto bastante desagradável quando visitando os Estados Unidos e
a Suécia é a ausência quase total de banheiros públicos [4] .  Na minha idade,
é mais fácil pensar nesse aspecto. Nos Estados Unidos, eles tem o Disability
Act. As pessoas sem uma perna são facilmente identificáveis. Mas homens
velhos e mulheres, eu acho, que têm de urinar freqüentemente se encontram
em uma situação bastante desconfortável. Eu me lembro de uma vez, há
alguns anos, quando estava num terminal de ônibus em Washington , de um
mexicano, homem aproximadamente da minha idade, me perguntando como
resolver esse problema. Eu respondi: não há solução, faça como eu, vá a
vizinhança para resolver seu problema.

II. Suécia

(17) A primeira vez que cheguei a Estocolmo foi em outubro de 1973 fugindo
do Chile, via Embaixada Sueca e rumo ao meu segundo exílio. Assim, após
quase 40 anos eu retornava àquela lindíssima cidade. No aeroporto, a recepção
não foi nada amigável. Lindas policiais suecas, vestidas de negro e com suas
mãos sobre suas pistolas, observavam atentamente meus movimentos. Oh,
maldito 11 de Setembro, quanto mal você nos fez! Aqueles malditos radicais
muçulmanos conseguiram manchar esse maravilhoso inicio do século XXI.
Comparo, obviamente, à terrível tragédia que foi o século XX.  

(18) Quando fui a um banco sueco para conseguir moeda local – coroas suecas
– fiquei chocado. Parecia que, momentaneamente, voltava ao Terceiro Mundo,
o mundo subdesenvolvido . Tudo me lembrava um semi-fracassado Estado.
Demorou muitíssimo para realizar a transação [5].  A maioria das pessoas nas
filas eram idosas ou estrangeiras. Logo percebi a nova política nos tempos da
internet. A idéia –correta, por sinal - era reduzir custos, mas as pessoas
idosas sofrem. Dou aqui apenas uma das muitas imperfeições dos Estados
bem sucedidos. Issp será assim per omnia saecula seculorum.  Tem que ser
assim, do contrario, a vida não faria sentido. O homem terá sempre que
melhorar sua vida.

(19) Beber vinhos ou outras bebidas alcoólicas é bastante difícil na Suécia. Eles
têm um sistema monopólico estatal chamado Systembolaget. Não há vendas
nos finais de semana e durante a semana os horários de funcionamento
dessas lojas são bastante restritos. Isso vale também para Noruega e
Finlândia, não no caso da Dinamarca. Eu não estou muito seguro, mas me
parece tratar-se de um movimento nostálgico da época da Lei Seca do começo
do século XX. Ao que me consta essas idéias tiveram origem nas mulheres
protestantes dessa região. Essa idéia cruzou o Atlântico, chegando aos
Estados Unidos, e hoje, sabemos muito bem a tragédia que isso significou.

(20) De certa feita, me lembro de que caminhando na calçada, avistei um
homem de certa idade no sentido oposto, com seu rullator.  Eu não me
importei com sua presença e peguei minha garrafinha de vodka pra tomar um
trago. Quando ele passou por mim, ele exclamou: Det var gott! (foi bom,
ehm!). Eu respondi: Det var det! (claro que foi!). Esses rullator são uma
grande idéia para pessoas mais velhas. É uma espécie de um carro de bebê
modificado. As pessoas podem ir aos supermercados para suas compras e
caminham com muito maior segurança. Pensei que isso poderia me ajudar no
futuro. Pensando melhor, me lembrei de que as calçadas aqui não são
suficientemente regulares para isso. Essa é a cruel realidade de viver num
Estado fracassado!     

(21) O metrô em Estocolmo é maravilhoso. Não há filas e até os cachorros
viajam juntos. Cachorros podem ser vistos em restaurantes finos, não em
jantares elegantes, eu acho, com seus donos. Eu me lembrei das idéias de
Thomas Jefferson sobre a busca da felicidade como objetivo central do homem.
Acho que Estocolmo e, provavelmente, algumas outras cidades no Primeiro
Mundo deram um passo adiante nesse sentido.

(22) Uma observação sobre uma diferença cultural. Não se deve elogiar, ou
brincar, com seus cachorros. As pessoas não gostam. Os cachorros, sim.
Talvez, considerem uma invasão de suas privacidades. Ate elogios, ou
brincadeiras, aos seus pequenos filhos não são bem vindos. Como um homem
latino, isso me pareceu um sentimento extremamente cauteloso. Um de meus
amigos suecos foi criado parcialmente aqui e eu lhe perguntei sobre suas
experiências. Ela me contou que nos ônibus as pessoas passavam as mãos na
sua cabeça exclamando: Tão lindo, tão loiro! Isso, obviamente, não o
incomodava. Ele inclusive gostava, me contou.

(23) Outra diferença cultural notável. Os suecos aceitam com naturalidade os
filhos doentes ou aleijados como parte natural da vida, mas nós não. Nós
dizemos algo assim como: pobre família. Os religiosos atribuem isso a algum
castigo divino. Eu tenho um amigo que esta tendo um péssimo final de vida
por não aceitar um neto defeituoso. Os suecos, bem como outros povos
desenvolvidos, eu presumo, têm uma atitude bem melhor nesse aspecto [6] .  

(24) Quando em Estocolmo, eu tive a rara oportunidade de visitar os campos
experimentais de Alfred Nobel em Aspudden. Ali, se encontram todas as
instalações, inclusive os túneis para o desenvolvimento da dinamite. Aqui cabe
uma importante nota sobre os Estados bem sucedidos: eles têm uma historia
e uma memória bem arquivadas.

(25) Agora, na minha idade madura, voltei ao Museu Vasa. Trata-se de um dos
mais importantes museus do mundo. Ele é sobre um magnífico navio de guerra
que naufragou na sua primeira viagem, em 1628. O fantástico dessa historia é
que o navio foi resgatado, em 1961,praticamente intacto, depois de mais de
trezentos anos. Trata-se de uma peça da historia humana. Há uma lição a ser
aprendida aqui. O rei Gustavo II Adolphus, quem ordenou a construção do
navio estava demasiadamente preocupado com a sua imponência – incluindo
uma fantástica decoração – e se esqueceu dos princípios básicos de equilíbrio.
Dou aqui apenas minha opinião, devido à minha primeira formação como
engenheiro estrutural. Engenheiros navais estão muito mais qualificados pra
opinar.

(26)  O suecos, bem como os americanos, são muito orgulhosos de suas
Nações. Aqui, aflora uma interessante discussão sobre os conceitos de tribos,
povos, países, estados e nações. O curdos, por exemplo, são um povo, talvez
ate um pais – apesar de que os turcos não gostem muito dessa idéia. Têm um
território definido, falam a mesma língua, tem os mesmos costumes, etc. No
entanto, não têm um Estado. O Brasil, como toda a America Latina tem um
Estado, ainda que semi-falido (O Chile é uma exceção no contexto) , mas ainda
assim um Estado. A Somália é um bom exemplo de um Estado completamente
falido.

(27) Nação é um conceito bastante superior. Você tem que ter um passado,
uma história clara não sujeita aos governantes de turno, valores, memórias,
enormes sacrifícios de vidas, etc. O Brasil é um ótimo exemplo nesse aspecto.
Aqui, os nomes de aeroportos e estradas, por exemplo, são mudados com
freqüência para reverenciar novos políticos ou novos heróis nacionais –quase
sempre atletas de turno. Em algumas oportunidades, borrando inclusive
acontecimentos históricos de enorme importância para nosso passado.

(28) Nação, no caso brasileiro, pode se tratar de uma edição de um livro
caríssimo - R$ 6500 a R$15000 (US$ 3700 a US$10000) - conforme a
colunista social do Estado de S. Paulo, Sonia Racy – O Estado de S. Paulo,
22/09/11. O livro é uma homenagem ao Timão, Corinthians, a maior torcida
brasileira e campeão brasileiro de  2011.  Os dois últimos presidentes, FHC e
Lula, são fotografados apresentando a edição. Que lindo!   

(29) Eu fui ao sul da Suécia, Hoganas, província da Scania, próxima à cidade de
Helsinborg, para visitar meu  amigo Lars Torbionson. Lá, eu fiquei
impressionado com a quantidade de containers para a reciclagem de diferentes
materiais. Na verdade, eu já havia visto isso em alguma parte de Estocolmo.
Nos fomos ao Museu de Louisiana, Dinamarca. Nós cruzamos o Estreito de
Oresund, que conecta o Oceano Atlântico ao Mar Báltico. Trata-se de uma
passagem muito estreita e extremamente trafegada.  Desde o ferryboat
podíamos avistar o imponente Castelo de Kronborg, imortalizado por
Shakespeare no seu monumental Hamlet.  

(30) Nos supermercados, systembolaget, etc, há uma maquina que conta
moedas. Em países como Suécia, Estados Unidos, etc, com moedas
historicamente estáveis há uma tendência às pessoas acumularem moedas nos
seus bolsos, ou bolsas.  Há alguns anos, nos Estados Unidos, me lembro de
trocar moedas por notas em um supermercado. Habito muito comum por lá.
Trata-se de uma forma pratica de se desfazer de moedas e um sinal de
sociedades com alta produtividade.

(31) Quando eu estudava economia na Universidade de Estocolmo, eu
normalmente usava uma bicicleta. Mas agora fiquei impressionado com o
aumento do numero de bicicletas. Trata-se de uma melhoria notável. A cidade
é, na sua maior parte, plana, favorecendo, portanto, o uso de bicicletas.
Ademais, o trânsito é, obviamente, civilizado.  

(32) Quando cheguei a Estocolmo, estava muito excitado para ir ao centro da
cidade e visitar meu antigo lugar de trabalho no Instituto de Estudos Latino-
Americanos, onde trabalhei durante cinco anos. O edifício estava intacto. Mas o
lugar havia se transformado em uma biblioteca para crianças. Que maravilha
um Estado bem sucedido! O instituto foi transferido para os edifícios da
Universidade de Estocolmo, em Lappis. Magnus Morner, nosso primeiro diretor,
encontra-se em uma clínica para idosos. Weine Karlson, grande amigo e nosso
segundo diretor, me levou ate lá para conhecer as novas instalações.   

(33) Em um final de semana, a família de minha filha e eu fomos ate uma ilha,
velha conhecida, que pertence a alguns amigos suecos, herança de uma
escultora sueca. . Era verão. Minha neta, Nina, ficava fascinada com o nadar
dos cisnes. O entorno era uma espécie de floresta nativa. De fato, na Scania,
Lars me explicou que elas são cultivadas, renováveis. Os animais naturais
daquele meio, como veados, renas, etc, vivem ali harmoniosamente. Tudo isso,
de certa feita, ouvindo o maravilhoso clarinete de Hellen!  

(34) Nos países desenvolvidos as árvores dentro e nas cercanias das cidades
são fartas. Um amigo meu ao descer em Washington, DC, exclamou para seu
filho: você vive no meio de uma floresta! Catherine Deneuve, a famosa atriz
francesa, numa recente visita a São Paulo, ficou chocada com a ausência de
arvores na cidade (Folha de São Paulo, 10-6-2011). Quando viajando pela
Virginia, eu fiquei impressionado pela enorme quantidade de árvores. Parece
tratar-se de um paradoxo de Estados tropicais fracassados como no caso do
Brasil. O Brasil tem a maior floresta tropical do mundo – talvez, a maior
preocupação atualmente dos ambientalistas no mundo – e, no entanto, só
temos árvores lá!

(35) Um notável aspecto da idiotia da mídia brasileira é a existência da chamada
coluna social. De certa feita, quando em Tucson, no Estado de Arizona,
fronteira com o México, comprei um jornal mexicano e la também estava a
famigerada coluna social! Suponho, portanto, tratar-se de um aspecto comum
a todos os Estados semi-fracassados da America Latina e, talvez, do mundo.
Trata-se de longas matérias diárias, cheia de fotos, sobre a alta sociedade,
incluindo, sobretudo, celebridades. Elas retratam pessoas ricas, artistas de
novelas, “escritores” bem sucedidos, a alta nomenklatura política e juridica do
pais,etc. Elas avançam ate um pouco mais estimulando a demência nacional  
Quando você as lê, fica uma sensação de que seu pais é rico, grandioso. São
Paulo se assemelha a Nova York e Paris!

(36) A megalomania demencial é um traço comum entre os Estados
fracassados. Hugo Chavez, da Venezuela, disse por volta do 2000, a propósito
da  conturbada eleição de Bush,  que ele não iria intervir no resultado da
eleição! Pudera, com toda aquela sua força militar! O problema era a dificuldade
da apuração de votos na Flórida.  Numa recente reportagem do The
Washington Post, em outubro de 2011, podia-se ler: O descaramento,
impudência (brazenness)  da trama esboçada pelo Departamento de Justiça –
complô para matar o representante da Arábia Saudita - chocou muitos
funcionários e ex-funcionários como fora de propósito por parte do Irã,
quando raramente, ou jamais, ameaçou objetivos nos Estados Unidos.
Funcionários norte-americanos ficaram chocados no ultimo mês quando um
almirante iraniano ameaçou enviar navios de guerra para patrulhar as costas
dos Estados Unidos.  

(37) No Brasil, há um mito que a rainha da Suécia é brasileira. Mas na Suécia
eles pensam que ela é alemã! Ela foi criada por alguns anos no Brasil pois sua
mãe é nascida no Brasil, ou algo assim. Mas ela é culturalmente uma mulher
alemã. Os brasileiros, manipulados pela mídia, adoram dizer que ela é brasileira.
Um orgulho nacional! Em 1954, Martha Rocha, Miss Brasil, perdeu a
competição para Miss Universo. A razão teria sido duas polegadas a mais no
seu quadril - preferência nacional. Hoje, sabe-se que essa historia foi uma
invenção de um repórter brasileiro. O Brasil carrega esse “trauma” ate os dias
de hoje. Bobagem, os venezuelanos sabem muito bem que suas mulheres são
as mais belas do mundo!

(38) Outra importante característica da cultura brasileira que eu penso estar
presente em todos os Estados fracassados é a cultura da vagabundagem. Nós
temos uma abundancia de feriados e o mais importante, o carnaval, é ilegal!
Não há lei que o regulamente. O povo o fez independentemente do Congresso
ou de leis. Trata-se do mais longo feriado do Pais. O sistema financeiro para
por dois dias e meio nos dias uteis. As estatísticas internacionais não levam
isso em conta, obviamente. Alem disso, abundam as chamadas pontes, ou
feriadões, e pelo que sei, isso vale em toda a America Latina. Se o feriado cai
na terça ou quinta, emenda-se: não se trabalha na segunda ou na sexta. É o
paraíso da vagabundagem.

(39)  Um fator adicional negativo na America Latina é a falta de confiança nas
relações econômicas, etc. Trata-se de uma questão crucial, como apontado
pelo ilustre Sr. Alan Greenspan, bem como por outros pensadores, Sem
confiança mútua nenhum sistema econômico funciona. As pessoas
normalmente mentem e isso dificulta enormemente os relacionamentos. A
norma é mentir e a exceção é a verdade. É uma maluquice total.
.  
III. Portugal

(40) Sabedor de que Portugal é o país mais pobre da Europa Ocidental, eu já
estava preparado para pousar em Lisboa. Felizmente, quando eu cheguei, à
noite, eu precisava urgentemente ir ao banheiro e tive acesso a um, mesmo
apesar de as faxineiras estarem trabalhando nele. Nessa hora, eu pensei:
felizmente, estou no mundo latino. Não tem a mesma organização rígida e
correta do mundo muito desenvolvido mas às vezes isso ajuda. Tal como
esperado, o aeroporto de Lisboa não tinha a mesma aparência e estrutura dos
aeroportos americanos, ingleses ou suecos.

(41) O trânsito em Lisboa era muito bom. Era uma temporada de feriados em
Lisboa. Foi um feriado nacional seguido de um feriado em Lisboa, ou vice-
versa. Eu tinha que me apressar para ter tempo de visitar a Torre do Tombo, o
mais importante arquivo, museu e biblioteca de Lisboa e meu principal
interesse na cidade. No dia seguinte, eu constatei que boa parte da população
portuguesa tem o mesmo mau hábito de fazer as “pontes”, também chamadas
atualmente de feriadões, tal como a farra que há na América Latina com as
mesmas “puentes” (vide o parágrafo 38). Uma notícia recente de Portugal diz
que, como conseqüência da crise da dívida pública européia, o governo
português está tentando eliminar cerca de 4 feriados por ano! Eu não acredito
que eles vão conseguir tudo iso.

(42) Quando eu cheguei ao hotel - um hotel barato no centro de Lisboa, eu
estava ávido por relaxar e tomar uma cerveja, então, perguntei por um bar nas
redondezas. Eu pensei que, como esse era o mundo latino, deveria haver
muitos bares. De fato, havia um bar por perto, a uma quadra atrás do hotel.
Em Estocolmo, seria impossível fazer isso àquela hora. Também seria
impossível em Tucson, Arizona, EUA. O bar estava cheio de gente jovem,
provavelmente muitos universitários, bebendo cerveja. A maioria deles,
provavelmente, estava desempregada, ou eram desempregados em potencial,
como sói ser o caso no Portugal de hoje. À saída, havia lixo na calçada. Os
táxis eram Mercedes Benz bem velhos, de cerca de 25, 30 anos atrás. Os
taxistas falavam bastante à noite. Era o perfeito mundo latino!

(43) A arquitetura da Torre do Tombo, anexa à Universidade, era muito feia.
Fez-me lembrar da cidade de São Paulo. Provavelmente, o arquiteto tentou
construir um prédio moderno, mas não foi feliz no seu intento. Grandes blocos
de linhas retas na entrada principal. Lembrei-me de Oscar Niemeyer - apesar
do mesmo ser mais chegado a curvas estrambólicas. Trata-se do “grande”
arquiteto brasileiro contemporâneo. criador de Brasília e venerado pela idiotia
local como um dos grandes  arquitetos do mundo moderno! Uma simples
manifestação da demência local.

(44) Quando eu estava no andar térreo do museu/arquivo, eu notei um grupo
guiado por uma professora portuguesa que insistia sobre a importância da
História e da Memória. Essa parte do museu era cheia de fotos e algumas
ferramentas, a maioria delas dos tempos modernos. Nada realmente
importante, apesar de que alguns documentos escritos da história de Portugal
são muito importantes para a humanidade. Na sala de leitura, no andar de
cima, havia poucas pessoas. Não era uma cena agradável para um visitante.

(45) De fato, eu era cético a respeito das percepções deste escritor brasileiro
chamado Laurentino Gomes, autor dos best-sellers 1808 e 1822, que falam
tanto sobre a ausência da memória e da história do povo português.
Laurentino cita sua visita ao Porto, a segunda maior cidade de Portugal e muito
importante para a história do país. Eu devo reconhecer que ele está certo
neste aspecto.

(46) Na volta, a caminho do hotel, eu conversei com o taxista sobre os
brasileiros que moram em Lisboa. Como eu já sabia, há uma enorme
quantidade de prostitutas e travestis brasileiros em Portugal. Ele me disse que
costuma levar uma jovem prostituta brasileira ao banco para mandar euros
para o Brasil. Neste momento, pensei: hoje em dia, enquanto a mídia brasileira
insiste em fazer alarde sobre a crise “letal” da Europa e a prosperidade e o belo
futuro do Brasil, há uma enorme quantidade de jovens trabalhadores
brasileiros em Portugal, e não o contrário. Você os encontra em todo lugar.
Ademais, eu nunca ouvi falar de uma prostituta portuguesa no Brasil. E mais,
não há favelas em Lisboa.

(47) Eu fui até Peniche, que fica a uma hora de carro ao noroeste de Lisboa, na
costa portuguesa, para visitar minha prima, Sônia Machado, e seu marido, o
engenheiro naval Álvaro Oliveira. Peniche é uma pequena cidade e um dos
pontos mais ocidentais da Europa. A principal atividade econômica é a pesca.
Peniche tem uma marca do tempo de Salazar (1928-1973): uma prisão política
desativada, um traço do fascismo em Portugal.  

(48) Álvaro é o chefe de uma fábrica e reforma de barcos de pequeno e médio
porte. Seus principais mercados são Angola e Moçambique. Eu tinha meu
interesse desperto sobre as relações de trabalho em Portugal. De fato, em
2005, eu me candidatei a uma bolsa à Harvard University (My Application to
Harvard) com o propósito de fazer um estudo comparativo entre as relações
trabalhistas em Portugal e no Brasil.

(49) Pareceu-me que, a julgar por esta rápida visita a esta fábrica, que o
ambiente das relações trabalhistas é melhor em Portugal do que no Brasil,
apesar de eu não ter dados sobre o volume de ações trabalhistas em Portugal.
Em 2010, o Brasil teve quase 3 milhões! A Embaixada Japonesa no Brasil tem
mais ações trabalhistas do que o Japão inteiro! Certamente o Brasil é o
campeão mundial, e nesse caso, não importa sequer a quantidade de
empregados. O nível médio de produtividade parece não ser muito diferente do
brasileiro.

(50) Ao falar com um advogado português e com minha prima, eu descobri
que as relações de trabalho em Portugal são quase tão ruins quanto no Brasil;
em alguns aspectos, são piores. Nos tribunais trabalhistas de Portugal, os
empregados ganham cerca de 95% das ações. No Brasil, deve ser cerca de
99%. Assim sendo, este não é um fator relevante para explicar a melhor
performance de Portugal nas últimas décadas como eu havia pensado em 2005.

(51) Meus amigos me levaram a um lugar histórico chamado Óbidos, um pouco
ao norte de Peniche. Originalmente, foi um vilarejo construído por antigas
tribos celtas em 308 a.C. Posteriormente, o lugar tornou-se um centro
comercial dos fenícios. Esse lugarejo possui um magnífico castelo, atualmente
usado como uma pousada. É uma espécie de museu ao ar livre e um lugar
realmente interessante de visitar.

(52) Certa feita, quando íamos ao centro de Peniche para jantar, encontramos
uma enorme quantidade de jovens, a maioria moças. Álvaro explicou que há
uma “faculdade” em Peniche, com cursos como turismo, por exemplo.
Imediatamente, eu fiz uma associação ao caso brasileiro. Nós temos um monte
dessas “faculdades” aqui. Elas educam as pessoas a serem desempregadas!
Quanto gasto de recursos e irracionalidade!

(53) Uma nota sobre a cultura portuguesa atual: quando eu cheguei a Lisboa,
o feriado local (vide o parágrafo 41) era a Festa de Santo António. Quando eu
estava em Peniche, eu assisti à festa pela TV. Os portugueses cultivam os seus
costumes com roupas e danças antigas junto com suas famílias, incluindo as
crianças. É ótimo. De imediato, eu comparei aquilo com o carnaval brasileiro
atual, com toda aquela nudez e gasto de dinheiro público [7] . E, o pior, é que
o povo brasileiro se orgulha do seu carnaval. E, ainda, pensa que o mundo
todo fica maravilhado com tanta beleza!

(54) Um aspecto negativo da cultura portuguesa atual é o fato de que algumas
pessoas têm o hábito de estacionar seus carros na calçada; eu vi isso em
Peniche. Em alguns lugares do Rio de Janeiro, você não consegue andar nas
calçadas porque quase todo mundo as usa como estacionamento!  

(55) No Brasil e em muitos outros países, incluindo Portugal, a água é
previamente tratada para que depois possa ser ingerida. Os cidadãos desses
países com uma melhor condição econômica compram água engarrafada para
beber. Este é, no mínimo, um traço de um Estado semi-fracassado. Em Nova
York, em Washington, na Suécia inteira, todo mundo bebe água da torneira
tranqüilamente.

(56) Apesar de todos os aspectos negativos, o Estado português é saudável.
É difícil dizer que Portugal seja uma Nação no conceito que dou ao termo. Ele
certamente parece uma Nação quando sua seleção nacional de futebol joga,
pois nessas ocasiões, você certamente verá uma miríade de bandeiras de
Portugal em todos os lugares, tal como no Brasil. Em outras ocasiões, você
não verá uma única bandeira de Portugal.

(57) Quando eu estive em Portugal, pairava no ar a ameaça de uma greve
geral. Quem eram os líderes de tal movimento? Transportes Aéreos
Portugueses (TAP) e Caminhos de Portugal (CP), as duas principais empresas
estatais de Portugal. Imediatamente, lembrei-me do Brasil, onde nós temos,
inexoravelmente, uma grande greve dos bancários por ano; quem são sempre
os líderes? Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, os dois principais
bancos estatais do Brasil.

(58) Quando eu estava falando com um empresário português e culpando o
setor público brasileiro por ser o principal responsável pela ausência de futuro
do Brasil, ele respondeu que o setor público é o principal problema no mundo
inteiro. Isto é parcialmente verdade. Hoje em dia, a crise da dívida publica
européia é um bom exemplo. Porém, devemos fazer uma distinção entre o
fenômeno em si e a sua intensidade. A violência é um problema grave no
mundo inteiro, mas o nível de violência na América Latina é tão alto que gerou
um novo tipo de guerra: uma guerra interna própria dos países latino-
americanos, exceto Chile, como sempre. Também é o caso do setor público
brasileiro. Nós temos uma carga tributária astronômica e quase nenhum
retorno em termos de serviços públicos!

(59) Portugal é historicamente um grande produtor de azeite de oliva e vinho.
Isso é ótimo. Mas o problema é que essas atividades econômicas não geram
empregos suficientes para sua juventude – geração às rascas, em suas
palavras. Portugal teria que criar indústrias manufatureiras de pequeno e médio
porte para resolver esse problema. Os principais obstáculos são as leis
trabalhistas e a cultura de privilégios do setor público e das empresas estatais.
Subjazendo a tudo isso esta a falta de inteligência do povo português, tal
como no caso do Brasil, sua grande descoberta. Que falta nos faz a inteligência

(60) Portugal foi uma grande pais no século XV:
No século XV, a bússola do
progresso marítimo apontava para Portugal, que explorava as ilhas do Oceano
Atlântico e a Costa da África (...). No século XV, os portugueses
desenvolveram o quadrante, o que tornou possível medir as latitudes e
longitudes navegadas -
vide Growth and Interaction in the World Economy,
Angus Maddison, p. 22-23.

(61) O grande Paulo Prado fala sobre a decadência da raça portuguesa por
volta do século XVI no seu livro Retrato do Brasil, É muito complicado emitir
um julgamento sobre essa opinião dele, mas Paulo Prado foi um caso raro de
inteligência no Brasil: ele conseguiu vislumbrar a tragédia brasileira já em 1927.
Abaixo, uma foto recente  de jovens fumando crack no centro de São Paulo
Notas

[1]  Normalmente, os produtos manufaturados são muito mais baratos nos
países desenvolvidos independentemente das taxas de cambio. Eles são
aproximadamente 4 vezes mais caros aqui. A única diferença no momento é
que as pessoas têm maior poder de compra – mais dólares para suas
rendas em reais. Essa é a diferença.  

[2]  Atualmente, a megalomania demencial brasileira, estimulada pela idiotia
da mídia, associa São Paulo a Nova York!   

[3]  De fato, há uma idéia de um mexicano surgida há coisa de uns 110
anos que funciona maravilhosamente bem no Brasil: o jogo de bicho. È a
única coisa que funciona com perfeição por aqui. Talvez, a principal razão
seja a não interferência do Estado.

[4]  N Suécia, me explicaram que isso se deve à inconveniência dos  
drogados. Ok. Mas, certa feita, eu estava num McDonalds, na parte central
de Estocolmo, desesperado por uma moeda de 5 coroas para entrar no
banheiro do restaurante. Não basta você ter dinheiro, você tem que ter a
moeda exata. Não é nada fácil. Isso eu vivi também na principal rua de
Estocolmo, Sveavagen.

[5]  Uma coisa curiosa do mundo atual são os truques da semântica. Hoje,
países como o Brasil e os demais na America Latina são chamados de
“emergentes”. No passado, eles usavam “países em desenvolvimento”.
“Subdesenvolvido” era muito melhor, apesar de sua clara origem
comunista.  Na verdade, eles submergem. Em geral, a malandragem vem
dos burocratas das Nações Unidas – nomenklatura internacional? - ou de
áreas próximas. Logo mais, eles misturam isso com países realmente
emergentes como a China, Coréia do Sul e até a Índia, que parece ter
encontrado também seu caminho ao futuro. Ao misturar alhos com
bugalhos, a coisa fica ainda mais obscura.

[6]  A principal idéia nesse parágrafo,devo à minha grande amiga
portuguesa, Tila Barreto, que vive em Estocolmo há cerca  de 40 anos.

[7]  O carnaval brasileiro tem sua origem numa festa portuguesa de nome
entrudo. Era uma brincadeira muito simples e simpática. Isso foi “evoluindo”
ao longo de décadas e chegou a essa aberração total atual. Tristes
Trópicos!